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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estimulação e evolução da criança





Identidade e Construção do Sujeito

A estruturação do sujeito desenvolve-se basicamente do nascimento até os quatro anos de idade, através das interações sociais e afetivas e experiências vividas. Após este período outras modificações irão ocorrer. No entanto, a base psíquica já se encontra estruturada. Portanto, fica fundamentada a necessidade de existir um trabalho intenso junto às instituições de educação infantil, por serem espaços privilegiados de aprendizagem da criança de zero a seis anos. A família caracteriza uma estrutura primária de relações, que gera alimento para o desenvolvimento de todos os seus membros. Constitui-se como o centro dos primeiros interesses da criança. Posteriormente, com o ingresso no universo escolar, ocorrerá um marco fundamental no desenvolvimento infantil, pois esta criança terá a sua capacidade de exploração física e humana ampliada . Conhecer a si próprio e ao outro é condição fundamental para um desenvolvimento pleno e integral da pessoa humana. São processos que estão interligados e dependentes dos recursos afetivos, cognitivos e sociais presentes em um indivíduo. O bebê nasce desprovido de condições autônomas de sobrevivência. Ele necessita de alguém que satisfaça não só suas necessidades vitais, mas também afetivas. Através das interações que estabelece com seus parceiros, a criança vai sendo inserida em seu meio social e cultural. Fortes vínculos são formados entre o bebê e o seu interlocutor. O papel do adulto é cuidar, mediar os contatos da criança com o meio, atuando conjuntamente, organizando e interpretando este mundo. O vínculo afetivo é a porta de acesso que a criança dispõe para ingressar no universo sociocultural que a rodeia. Através do toque, olhar, gesto e fala deste interlocutor, a criança irá construindo significados sobre este ambiente. Inicialmente a comunicação existente é não verbal, ou seja, ela se estabelece através dos gestos, movimentos faciais e corporais e das emoções geradas nas interações. O adulto vai tentar compreender estas manifestações não verbais, atribuindo significados a elas, que por sua vez irão possibilitar a elaboração de conteúdos que vão marcar o desenvolvimento infantil. Quando o bebê nasce, ele não se diferencia do outro, e serão vários aspectos que irão influenciar este processo de diferenciação. No primeiro ano de vida, o bebê se ocupa em conhecer seu corpo, percebendo suas partes, contornos e possibilidades motoras e proprioceptivas (preensão, o sentar, o engatinhar e etc. ).
A locomoção (o andar) traz para a criança o primeiro grande salto em seu desenvolvimento, pois é um marco para a sua independência. Outro marco importante de ser apontado diz respeito ao desenvolvimento da sexualidade. Esta construção é lenta e permeada de conflitos. A criança necessita ter condição e oportunidade de exploração do próprio corpo. Precisa ter oportunidade de elaborar suas experiências sobre o tema, confrontando diferenças e semelhanças, para que possa futuramente tomar suas próprias decisões sobre sua sexualidade. Toda construção de conhecimento está referendada pela presença de modelos. A criança aprende através da imitação de tudo que a rodeia. A linguagem vem a ser um outro marco qualitativo no crescimento infantil, tornando possível o ingresso no universo simbólico. Por exemplo, através do jogo do faz de conta, a criança representa um espaço importante para o seu desenvolvimento afetivo e cognitivo, pois, através do experimento de diferentes papéis, apropria-se de suas observações acerca das experiências por ela vividas. A brincadeira constitui um canal para a construção do conhecimento da criança sobre si própria, sobre o outro e sobre as relações sociais existentes em seu meio sociocultural.
Escola e Estruturação do Sujeito

O processo de construção da identidade tem como fonte principal a família, por serem estes os primeiros referenciais da criança. Com o ingresso escolar, esta terá seu universo ampliado pela figura do educ
ador, que representa o elemento mediador entre a criança e a cultura física e social. O educador não substitui a família, cada qual exerce um determinado papel, no entanto, ambos terão de acolher não apenas as necessidades físicas mas também, e principalmente as de caráter emocional.
A aprendizagem escolar ocorre mediante a observação e ação da criança sobre o ambiente que a cerca e as interações estabelecidas com seus diversos interlocutores. Neste processo, a presença d
o educador é fundamental, pois, através de sua prática pedagógica comprometida com o desenvolvimento integral da criança, será possível que esta venha a construir formas autônomas de pensar e agir.
É necessário que o educador observe aten
tamente as necessidades, faltas e desejos do seu grupo e de cada educando em particular. É preciso conhecer as possibilidades relativas a cada faixa etária, as principais características psicológicas e seus conflitos emocionais, desde os bebês até os adolescentes. Assim sendo, com este olhar apurado, o educador poderá refletir compondo um plano de encaminhamentos e intervenções pertinentes ao momento de cada grupo.
A vida escolar propicia à criança a inserção nas regras e valores socioculturais da sociedade em que está inserida. As instituições de educação infantil são espaços de grande diversidade de hábitos, preferências, religiões e etnias, favorecendo a percepção e vivência desta heterogeneida
de. A criança irá perceber que sua identificação é construída em grupo, nas relações de fusão e diferenciação dos outros. O educando estará próximo de seus pares, de outros adultos, para poder construir uma relação de pertinência ao seu grupo de iguais, identificando nele os parceiros necessários para desvendar o mundo.
Na escola, ocorre a elaboração de novos conhecimentos - cognitivo, social , afetivo e motor - através da ação e observação sobre o meio e das interações que são estabelecidas. A presença do educado
r é fundamental neste processo de aprendizagem, pois será ele quem promoverá a organização das situações de aprendizagem.
Todos os cuidados que são dirigidos à criança não têm apenas a função de atender as suas necessidades biológicas, mas também, e, principalmente, de fazer com que esta se constitua uma pessoa diferenciada. Vale ressaltar que o educador tem um grande desafio, que é o estabeleciment
o de um cuidado individualizado e afetivo junto ao seu grupo de trabalho. Deve também organizar tempo e espaços que permitam a realização de atividades diversificadas, possibilitando o desenvolvimento de capacidades ligadas à tomada de decisões, à construção de regras e combinados, à cooperação, à solidariedade, ao diálogo e ao respeito a si próprio e ao outro.

Autonomia como um Projeto

As concepções atuais de educação trazem como objetivo fundamental a construção da autonomia. O indivíduo
autônomo é aquele que reflete sobre seus conflitos, fazendo escolhas na tentativa de solucioná-los, sendo capaz de observar e registrar resultados que o permitam realizar uma avaliação, que o conduza a um replanejamento de ações. É um processo longo que vai se constituindo no decorrer das experiências cotidianas , onde se faz necessária a tomada de pequenas decisões pela própria criança. Ao mesmo tempo, ela tem que fazer uma aprendizagem sobre respeito às regras, aos limites e ao bem estar do próximo. A atuação do educador é fundamental para que o educando tenha espaços para vivenciar opções diversificadas de ações, podendo experimentar e negociar suas escolhas. O desenvolvimento da autonomia precisa ocorrer dentro de uma relação de alteridade, com a percepção dos limites e possibilidades. Também é preciso haver o estabelecimento de um trabalho conjunto entre o espaço educacional e a família. É importante salientar que o adulto pode estreitar ou abrir caminhos rumo à independência e autonomia .
A aquisição de conquistas, tais como andar e falar, possibilitam uma maior independência e autonomia em relação ao adulto. Quando esta criança é capaz de começar a cuidar de si própria, ou seja, comer sozinha, escovar seus dentes, cuidar da sua higiene pessoal, escolher e decidir o que vestir, com quem, do que e onde brincar, ela estará reafirmando o seu processo de autoconhecimento. No entanto, este desenvolvimento não é contínuo, podendo haver avanços e retrocessos, conforme os momentos de vida que a criança esteja enfrentando.
À medida que a criança se desenvolve, as necessidades de cuidados/educação vão sendo alteradas. Dependendo do desenvolvimento da criança, o educador terá que modificar suas ações e cuidados, como por exemplo, junto aos bebês, o educador deve procurar atender as necessidades de higiene, alimentação e descanso, procurando respeitar o ritmo de cada um.

Todas as rotinas de higiene (banho, lavagem das mãos, higiene oral, uso do sanitário e etc.), alimentação e sono/repouso, independentemente da faixa etária, devem ser planejadas como atividades educativas, adequando espaço e material, para que ocorra um aprendizado gradativo de atitudes e procedimentos de autocuidado, além da inserção da criança em diferentes hábitos, costumes e valores sociais.
Portanto, educar não é uma tarefa fácil
e simples, requer que o educador esteja atento às necessidades, faltas e desejos de suas crianças, para que possa propor situações de aprendizagem que façam parte dos centros de interesse do seu grupo de trabalho.
Principais conflitos emocionais ( criança de zero a seis anos ): Criança de zero a um ano :

Choro : representa uma das formas do bebê se comunicar, sendo
comum a ocorrência de diversos tipos de choros nesta faixa etária.
Intervenção : é necessário que o adulto (família e/ou educador) saiba fazer uma leitura adequada para poder atender as necessidades , desejos e faltas deste bebê. Também é fundamental que, aos poucos, o adulto(família e/ou educador) vá colocando limites nas manifestações de choro( manha ) desta criança.
Alimentação : representa um prazer para o bebê, não só pela satisfação biológica, mas, principalmente, pelo aspecto
afetivo e emocional.
Intervenção :o adulto (família e/ou educador) deve ter consciência de que a alimentação carrega vários significados e considerá-la como um espaço de interação fundamental para o desenvolvimento da criança.
Desmame: faz parte do processo de crescimento do bebê e também da separação mãe/bebê.
Intervenção : o adulto(família e/ou educad
or) deve ajudar a criança a crescer, sem encarar este momento como algo catastrófico, procurando propiciar condições para que ela experimente novas sensações.
Criança de um a dois anos :

Mordida: constitui uma forma de reação usual das crianças desta faixa etária.
Intervenção : o educador deve perceber que a mordida é um sintoma que demonstra dificuldades da criança em expressar seus sentimentos, tendo como causa a passagem pelo processo de diferenciação . Deve procurar desenvolver um trabalho centrado no estabelecimento de falas e acordos, que apontem para o caminho da percepção dos limites e possibilidades desta criança dentro de seu grupo social.
Objeto transicional: aparece com maior freqüência nesta faixa etária, sendo usado como objeto que está ocupando o lugar da figura de apego ausente(mãe/adulto que cuida da criança).
Intervenção : o educador deve entender o que este objeto representa para a criança e permitir o uso, dentro de situações combinadas, estando atento ao desenvolvimento desta criança.
Linguagem: constitui um marco fundamental no desenvolvimento infantil rumo ao universo simbólico.
Intervenção : o educador deve propiciar situações em que a criança possa aprender tanto a expor verbalmente suas idéias e sentimentos quanto ouvir opiniões, histórias dos outros elementos de seu grupo.


Criança de dois a quatro anos:

Desfraldamento: para a retirada das fraldas, é necessário esperar que a criança seja capaz de controlar os esfíncteres. As crianças variam muito quanto à prontidão do controle esfincteriano, tanto para o controle diurno ( por volta dos dois anos ) quanto para o noturno (por volta dos três anos ). O controle do esfincter constitui um processo complexo, trazendo à tona funções de socialização, de maior independência do adulto em relação aos cuidados com o corpo da criança e de obtenção de um controle maior sobre si própria.
Intervenção : é importante salientar que a forma como o adulto reage frente ao controle esfincteriano desencadeará marcas na qualidade do desenvolvimento global da criança. O adulto terá que criar situações para que a criança possa vivenciar este treino, devendo aceitar os momentos de retrocesso na aquisição desta nova conquista como sendo parte do processo de construção do controle sobre o seu corpo e sobre sua independência.

Birra: também deve ser vista como uma situação sintomática, onde a causa é a busca da identidade da criança.
Intervenção : O educador deve procurar entender que a criança precisa descobrir quem ela é, o que pode e o que não pode fazer. Para construir sua identidade ela passa por conflitos emocionais. Cabe ao educador dar espaços, para que a criança procure fazer colocações verbais sobre seus sentimentos. Também é fundamental deixar clara a existência de regras e limites e a necessidade do cumprimento dos combinados, para que seja possível o estabelecimento dos trabalhos e das relações sociais.

Diferenças sexuais: na faixa de três anos, é comum o interesse pelas diferenças anatômicas apresentadas pelas crianças. Também a descoberta das diferenças sexuais traz um marco fundamental no desenvolvimento da identidade.
Intervenção : é preciso que o educador propicie situações em que a criança possa vivenciar e experimentar diferentes papéis sexuais. O educador precisa estar atento para procurar não reproduzir estereótipos, empobrecendo a interação entre os sexos. Além disto, é necessário haver uma valorização de igualdade e respeito entre as pessoas de sexos diferentes.


Criança de cinco a seis anos:

Deslocamento do centro de interesse: a escola passa a ocupar o centro de interesse maior por parte das crianças desta faixa etária.


Intervenção : o educador deverá estar preparado para conter as colocações de algumas famílias frente a esta nova situação. Deve procurar satisfazer e despertar a curiosidade, além de incentivar as descobertas e conquistas das diversas áreas de aprendizagem.



Identidade sexual: a vivência da descoberta das diferenças sexuais tem um valor importante no desenvolvimento da criança nesta faixa etária. O brincar em grupos do mesmo sexo é algo extremamente freqüente, assim como os namoros e as cartinhas de amor etc.


Intervenção : O papel do educador é possibilitar a fala e a escuta, estimulando e promovendo a argumentação, para que as diferenças e justificativas de cada aluno possam ser valorizadas.






Fonte: Espaço pedagogico

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